A validação de produto é uma etapa fundamental no ciclo de vida do desenvolvimento de…

O que é Corporate Venture Building?
Se você acompanha ou participa de discussões sobre inovação corporativa, certamente já se deparou com o termo Corporate Venture Building (CVB).
O modelo que entrega possibilidades inovadoras através da criação e desenvolvimento de novos negócios ganha cada vez mais destaque. Repercute, principalmente, entre corporações que buscam se reinventar frente ao desafio da concorrência com startups.
Depois de ver de fora o boom das startups ao longo dos últimos dois anos, grandes companhias querem fazer parte da próxima grande onda de inovação. Os próprios executivos já admitem a necessidade por esse caminho.
A pesquisa McKinsey Global Survey on Corporate Venture Building de 2025, que entrevistou 715 líderes seniores e C-level de 66 países, mostrou que empresas experientes priorizam cada vez mais a criação de novos ventures.
Esse movimento revela que inovar passou a fazer parte da estratégia de crescimento das organizações. Nesse cenário, o Corporate Venture Building se consolida como um dos caminhos mais estruturados para transformar essa intenção em novos negócios, motivo pelo qual vem ganhando espaço e gerando cases relevantes ao redor do mundo.
Por isso, ao longo deste artigo, vamos explicar o conceito e como ele funciona na prática. Além disso, você também conhecerá as vantagens de aliar-se a corporate venture builders para otimizar a inovação aberta.
O que é Corporate Venture Building?
De uma maneira simplificada, Corporate Venture Building é a prática que envolve a criação e desenvolvimento de um novo negócio, independente ou complementar ao core business, a partir de uma companhia-mãe. Essa iniciativa atua como um hub para inovações externas.
Partindo do mesmo processo utilizado por venture builders, também conhecidas como ‘fábricas de startups’ ou ‘startup studios’, a corporação idealiza, viabiliza e desenvolve uma startup corporativa. O processo envolve etapas que vão desde a concepção da ideia até a escala.
A intenção é propor uma nova estrutura ágil e livre da burocracia corporativa, mas, ao mesmo tempo, alinhada aos objetivos estratégicos da companhia que a suporta.
O grande desafio é construir um motor de inovação com a flexibilidade e a agilidade de uma startup. Tudo isso sem perder o respaldo, os recursos e a sustentabilidade de uma grande organização.
Com os ativos corporativos, conexões e talento humano à disposição, torna-se possível suportar os esforços da nova empresa. Ideias inovadoras vão mais longe, mais rápido e com muito mais eficiência a longo prazo.
Corporate Venture Building como fronteira de inovação para grandes empresas
Entre os quatro tipos de inovação, a disruptiva é a mais difícil de se encontrar em uma empresa. Não apenas por colocar a companhia frente a desafios que vão muito além de seu core business, mas também pela complexidade de atuar de formas diferentes às que já são aplicadas na estrutura organizacional. É justamente neste campo que o Corporate Venture Building é acionado.
O framework Innovation Frontier, da consultoria McKinsey & Company, mostra um exemplo de onde o CVB se encaixa dentro das estratégias de inovação de uma corporação.

O Corporate Venture Building destaca a geração de valor e alto potencial disruptivo, geralmente distante do core, na busca por novos modelos de negócio que podem levar a companhia a encontrar novas fontes de receita.
Assim como investimentos em Venture Capital ou M&As, o CVB tem alto potencial de inovação, mas, ao contrário dos dois primeiros, envolve menos riscos e custos menores.
Além disso, ainda é necessário destacar a possibilidade de impacto cultural na organização, maior alinhamento estratégico e integração com a visão da companhia.
A diferença entre Venture Building para startups e CVB para corporações
Embora ambos tenham muito em comum, o termo “Corporate” torna os dois conceitos bastante diferentes. Isso por conta de sua aplicação e de como respondem às realidades de cada estrutura corporativa.
De um lado, as venture builders são focadas em empreendedores que têm uma ideia e querem construir seus próprios negócios ou suas próprias startups do zero.
Esses empreendedores muitas vezes não têm capacidade de investimento, estrutura ou experiência para tirar o negócio do papel e, por isso, contam com suporte, expertise e até recursos humanos, incluindo equipes de marketing e jurídica, das venture builders para ir em frente, levantar capital e criar MVPs.
Diferentemente das incubadoras e aceleradoras, a builder atua como parceira em todas as etapas do negócio.
Em contrapartida, as venture builders ganham participação acionária em suas startups, pelo menos até o momento em que elas atingem seu ponto de equilíbrio e podem seguir sozinhas, ou realizam eventos de liquidez, como a entrada de novos investidores.
Já quando o assunto é Corporate Venture Building, tudo isso ainda é considerado e aplicado, mas também entra na equação a forma como a iniciativa se relaciona com a estrutura organizacional e os objetivos da companhia-mãe.
Grandes empresas podem contar com a experiência no desenvolvimento de empreendimentos junto a metodologias, processos validados e networking com a comunidade empreendedora e de investidores.
Benefícios do Corporate Venture Building
Inovar pode ser um desafio aparentemente intransponível para grandes corporações, especialmente quando se trata de áreas nas quais ela ainda não atua.
Processos morosos e estruturas rígidas dificultam o acesso a novos mercados e fazem com que a inovação aberta seja frequentemente adiada. É aí que mora um dos principais benefícios do Corporate Venture Building.
Ao possibilitar que empresas já consolidadas desbravem outros segmentos, o modelo potencializa a inovação. Mas essa não é a única vantagem que o CVB pode oferecer. Confira, abaixo, algumas outras:
1. Mitigação de riscos
A criação de um novo produto ou serviço sempre envolve algum nível de risco. Afinal, tirar uma boa ideia do papel requer recursos humanos, tempo e, claro, dinheiro. Sem nenhuma garantia de que a iniciativa irá vingar, esses fatores ganham peso ainda maior. Sem falar na possibilidade de prejuízo para a imagem da marca no caso de um fracasso retumbante.
Corporate venture builders estão acostumadas a lidar com essas incertezas e, através de processos estruturados e planejados, desenvolvem o novo negócio sem envolver a empresa-mãe. Só quando a startup está pronta para decolar ela é entregue para a companhia, que decide se a incorpora às suas operações ou a mantém operando de forma independente.
2. Manejo de equipes
A alocação de times para desenvolver novos negócios pode ser um empecilho especialmente importante para as empresas. Em primeiro lugar, porque nem sempre elas dispõem desses recursos. Em segundo, porque nem sempre esses colaboradores têm as habilidades necessárias para criar uma startup do zero.
As corporate venture builders, por sua vez, têm equipes formadas por profissionais especializados nas diferentes fases que envolvem o lançamento de um novo negócio, da prototipação e testes ao lançamento.
3. Maior agilidade
Se os processos engessados costumam ser um dos principais desafios para empresas que desejam inovar, o CVB tem a solução para esse problema.
Companhias que adotam esse modelo contam com processos estruturados e escaláveis, o que resulta em um inegável ganho de agilidade. Isso acontece porque as builders trazem para o projeto expertise em diferentes setores do mercado e flexibilidade para testar e implementar os ajustes necessários no menor prazo possível, algo que organizações consolidadas nem sempre conseguem fazer.
O importante papel das corporate venture builders nesse processo
Uma grande corporação percebe uma oportunidade de mercado fora do seu core. No entanto, apesar de enxergar potencial na ideia, não tem flexibilidade e recursos humanos para colocar a mão na massa e tirá-la do papel.
Nesse cenário, a multinacional brasileira FCamara atua como parceira estratégica na construção de novos negócios, apoiando empresas desde a identificação de oportunidades até a validação e evolução das iniciativas. Isso pode acontecer por meio de diferentes abordagens de inovação, incluindo o Corporate Venture Building, além de outras metodologias adaptadas à realidade e aos objetivos de cada organização.
Combinando experiência, tecnologia, times multidisciplinares e uma atuação próxima ao cliente, ajudamos a reduzir incertezas, acelerar o desenvolvimento de soluções e aumentar as chances de sucesso na criação de novos produtos, serviços ou modelos de negócio.
Make, Buy e Ally: como uma corporate venture builder atua
A conexão entre corporações em busca de inovação e novos modelos de negócio pode ocorrer de três maneiras: criando, comprando ou aliando-se a uma startup. A escolha do modelo vai depender dos objetivos da companhia, do cenário e dos objetivos almejados.
Criação de startups – Make
Ocorre quando a corporação mapeia uma oportunidade fora do seu core e passa para a builder a responsabilidade de criar uma nova empresa do zero. É o caminho mais indicado para companhias que querem ser vistas como desenvolvedoras de inovações disruptivas ou quando existe a certeza que o novo produto/serviço será bem-sucedido.
Parceria com startups – Ally
Outra opção para desenvolver produtos/serviços que não façam parte da atividade principal da empresa-mãe, a aliança com startups existentes é indicada nos casos em que a corporação prefere aguardar a consolidação de um mercado antes de qualquer movimento mais agressivo.
Compra de startups – Buy
Quando a corporate venture builder entende que aquilo de que a empresa-mãe precisa já existe no mercado, a aquisição de uma startup pode ser o melhor caminho. A estratégia também é válida para áreas muito saturadas.
Diferenças entre Corporate Venture Building, Private Equity e Venture Capital
Agora você pode estar se perguntando qual é a diferença entre Corporate Venture Building, Private Equity e Venture Capital.
Para começar, Private Equity e Venture Capital são modelos que fazem aportes financeiros. O primeiro deles, Private Equity, investe em empresas já estabelecidas. O segundo, Venture Capital, investe preferencialmente em empresas pequenas e médias, mas que demonstram alto potencial de crescimento.
Uma Private Equity, por exemplo, oferece aporte a empresas já desenvolvidas que estejam perto de se consolidar no mercado. Isso porque a sua intenção não é a de ajudar a criar uma startup, mas a de preparar uma empresa para abrir capital, passar por uma fusão ou ser comprada por outra empresa.
O Venture Capital, ou Corporate Venture Capital, por sua vez, é focado em pequenas e médias empresas que se preparam para escalar o negócio para outro patamar. Neste modelo, é comum que os investidores participem das decisões da empresa investida, mas raramente eles se envolvem na sua criação.
Ou seja, dentre os três modelos, o Corporate Venture Building é o único que coloca a mão na massa e cria, de fato, uma empresa do zero para corporações.
Em outras palavras, ele ajuda grandes organizações a criar suas próprias startups, superando processos pouco flexíveis e aplicando metodologias que levem à tão desejada inovação corporativa.
Cases de Corporate Venture Building: corporações investem na criação de novos negócios para inovar
Dados do Bain Global M&A Report 2026 mostram alta em Venture Capital (VC) e Corporate Venture Capital (CVC). O volume de deals (transações individuais de fusões e aquisições entre empresas) de M&A (Mergers and Acquisitions) cresceu 40% em 2025, atingindo US$ 4,9 trilhões, enquanto os investimentos em CVC alcançaram US$ 65,9 bilhões em 2024 (segundo CB Insights), superando picos anteriores acima de US$ 100 bilhões.
Esse movimento mostra que as corporações estão apostando cada vez mais alto no potencial das startups, e exemplos de CVB já ganham repercussão.
Nos Estados Unidos, a Harley-Davidson criou sua própria empresa de bicicletas elétricas, a Serial 1. Já a L’Oréal aposta em novos produtos para inovar em seu modelo D2C (Direct-to-Consumer). Em 2026, a empresa acelerou 13 startups sustentáveis via L’AcceleratOR, investindo até 100 milhões de euros em inovação aberta, reforçando o CVB global.
Já a Coca-Cola desenvolveu a Wonolo, uma startup para anúncio de vagas temporárias, enquanto a operadora norte-americana Verizon montou sua “própria concorrente” ao lançar a Visible, focada em planos de baixo custo.
No Brasil, a multinacional brasileira FCamara é um ecossistema de tecnologia e inovação que aplica metodologias proprietárias e soluções personalizadas com foco em experimentação, aprendizado rápido e ajustes contínuos para maximizar resultados. Trabalhamos junto às empresas para desenvolver capacidades, processos, rituais de governança e estratégias de implementação, criando uma estrutura que impulsiona a inovação.
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