São mais de 60 anos de história, 226,6 milhões de pares vendidos somente em 2024…

Color&Co e Perso: como a L’Oréal inova através da criação de novos negócios
A necessidade de inovar para enfrentar novos concorrentes e disrupções de mercado e se adaptar à mudança de hábitos do consumidor faz com que grandes companhias invistam para tirar ideias inovadoras do papel. A gigante L’Oréal é um exemplo disso.
Mesmo liderando mundialmente um segmento competitivo como o de cosméticos e beleza, a corporação francesa mira formas de se conectar diretamente a seus consumidores através do D2C – Direct to Consumer.
Saem de cena os intermediários do varejo para que a tecnologia e o conceito de customer-centricity conquistem espaço e novas empresas ganhem forma. Foi assim que a L’Oréal inovou ao criar duas iniciativas de Corporate Venturing: Color&Co e Perso.
A Color&Co foi criada em 2020 com o objetivo de aproximar a marca dos clientes, entregar uma experiência inédita e coletar feedbacks para gerar insights que pudessem ser traduzidos em inovação para novos produtos do Grupo L’Oréal.
Já a Perso, lançada no mesmo ano durante o maior evento de tecnologia do mundo, o Consumer Eletronic Show (CES), envolve uma nova tecnologia capaz de criar produtos de beleza personalizados em casa.
Ao longo deste artigo, vamos apresentar esses dois cases para entender como a gigante L’Oréal investe em Corporate Venture Building para evoluir no mercado de beleza. Acompanhe a leitura.
Color&Co entrega a experiência do salão de beleza em uma caixa em casa
Segundo pesquisa publicada pela própria L’oreal, mulheres tendem a mudar o cabelo mais de 150 vezes na vida. Nem sempre é possível ir ao salão de beleza, e tentar uma intervenção em casa acaba sendo a saída em algumas ocasiões. Dessa necessidade surgiu uma das primeiras ventures criadas pela L’Oréal: a Color&Co.
A startup tinha como premissa entregar toda a experiência do salão de beleza em uma caixa, com produtos profissionais e consulta com um especialista que buscava entender todas as necessidades do consumidor.
Tudo começava a partir de uma conversa entre consultor e cliente via chamada de vídeo. Eram feitas perguntas sobre o tom desejado, a saúde dos fios, textura dos cabelos e diversas outras para que, assim, a marca enviasse os produtos certos à casa do consumidor.
Os consumidores também eram encorajados a mandarem fotos do antes e depois para que o profissional acompanhasse o processo e pudesse indicar o tratamento necessário, assim como no salão.
Esse processo foi criado com o intuito de reduzir a insatisfação de clientes em relação ao resultado final de mudanças capilares, fornecendo informações e produtos profissionais – tudo isso no conforto de casa.
Além do consumidor final, os cabeleireiros e profissionais do ramo fizeram parte desse ecossistema. Interessados puderam se cadastrar para atender os clientes e foram licenciados pela própria L’Oréal.
A co-fundadora da Venture, Deb Rosenburg, explica que “se esses profissionais não têm clientes sentados em suas cadeiras, eles não são pagos. Ou, depois de 20 anos trabalhando em pé, talvez o cabeleireiro esteja cansado e queira sentar-se às terças-feiras. Ou talvez o filho deles esteja indo para a faculdade e eles precisem gerar uma renda-extra.”
No início de 2022, a Color&Co foi desativada pela companhia, deixando aprendizados e insights para futuras investidas de inovação.
Inteligência artificial e beleza unidos no Perso, da L’Oréal
De acordo com o VP Global da marca, Guive Balooch, “os consumidores de beleza estão nos pedindo experiências cada vez mais personalizadas, e vimos uma oportunidade real de inovar nesse pilar do nosso negócio.” Assim, surgiu o Perso.
Trata-se de um dispositivo que usa inteligência artificial para criar cosméticos personalizados de acordo com as necessidades individuais de cada cliente.
Através de um app mobile, o usuário tem seu rosto escaneado em diferentes ângulos pela câmera do smartphone, que envia as informações via bluetooth para o aparelho.
A inteligência artificial mapeia o rosto da pessoa e sugere a criação de maquiagens personalizadas de acordo com preferências e características de local – como umidade, temperatura e incidência de raios UV, entre outras.
O Perso, então, recebe os dados e gera misturas cosméticas com propriedade de skin care ideais para criar bases, batons e cremes totalmente personalizados na hora. O dispositivo utiliza três cartuchos de cor líquida, que podem ser trocados para alcançar o tom desejado e criar diferentes combinações de tonalidade.
Segundo a L’Oréal, o objetivo de unir IA e beleza é tornar a marca a número 1 em beauty tech no mundo. A empresa apostou alto nessa tecnologia e, em 2021, lançou o dispositivo no mercado mundial sob a linha YSL Beauty, com o nome Rouge Sur Mesure powered by Perso.
L’Oréal Tech Incubator: a fonte de inovação na Venture Builder do grupo francês
Enquanto o Perso é visto como uma ideia inovadora a ser lançada, o encerramento da Color&Co pode ser encarado como um fracasso por quem vê o case de fora. No entanto, trata-se de mais uma ação com o objetivo de inovar e encontrar novos modelos de negócio que vão guiar o futuro da companhia.
Assim como essa, existem diversas outras iniciativas formatadas pela Venture Builder interna do grupo francês, a L’Oréal Tech Incubator. Segundo a própria empresa descreve em seu site, sua missão é “reinventar a beleza profissional e liderar a transformação digital da nossa indústria com uma abordagem no cliente.”
Além do investimento em startups, a L’Oréal, assim como outras grandes corporações, aposta no modelo de Corporate Venture Building para desenvolver suas próprias startups com alto potencial de crescimento.
No Brasil, grandes empresas já contaram com o apoio da multinacional brasileira FCamara para desenvolver estratégias desse tipo e criar novos negócios.
Escolher o parceiro certo pode ser o ponto de virada entre uma boa ideia e um negócio de alto impacto, e é exatamente nesse papel que atuamos: transformando potencial tecnológico em valor estratégico e duradouro.
Nossa jornada de inovação começa pela definição da estratégia, com análise do contexto do negócio, desafios e oportunidades de mercado. Em seguida, as iniciativas são testadas por meio de experimentos e MVPs, validando hipóteses antes de ampliar investimentos e estruturar novos produtos, serviços ou negócios. O resultado é um ciclo contínuo em que direcionamento, execução e aprendizado se retroalimentam para acelerar a maturidade dos projetos e aumentar sua aderência ao mercado.
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