Certezas, suposições e dúvidas. Parece um spoiler de como o processo de inovação funciona, mas…

O que é inovação em modelos de negócios? Descubra como criar e veja exemplos
A disrupção das empresas tech e o boom das startups ao longo das últimas décadas deixaram ainda mais evidente para as grandes corporações a necessidade de inovar. E não se trata apenas de pensar no produto. A discussão sobre a importância da inovação em modelos de negócios ganha cada vez mais espaço.
Mas o que isso significa para o futuro dos negócios? Diante de novos concorrentes, mais ágeis e aderentes às mudanças de comportamento do consumidor, as grandes corporações precisam se atentar às oportunidades. Os casos envolvendo a falência de empresas como Blockbuster e Blackberry valem de exemplo para quem duvida que multinacionais podem correr riscos sérios.
Ao longo deste artigo, vamos trazer uma visão sobre a importância de ir além de produtos e serviços quando o assunto é inovação e o potencial de tratar os modelos de negócio inovadores como alternativa para criar oportunidades e conquistar mercados. Continue a leitura.
O que é inovação em modelos de negócios?
Antes de compreender o assunto, é importante destacar a definição do termo modelo de negócios: “é a forma como uma empresa cria, entrega e captura valor”. Ou seja, representa a fórmula que transforma pessoas, produtos e gestão em receita, lucro e retorno para os acionistas.
O conceito de inovação, por sua vez, se refere a criar algo novo, seja através de algo inédito ou da renovação ou recriação de algo já existente.
Quando os dois conceitos são tratados em conjunto, a primeira ideia que vem à mente é um novo modelo de negócios ou um modelo de negócios inovador. E a concepção é exatamente essa: inovação em modelos de negócio significa buscar alternativas diferentes para um padrão já existente.
Dessa forma, destaca-se a possibilidade de ousar dentro de seu próprio modelo, e a Apple talvez seja a companhia que melhor representa esse cenário.
A empresa norte-americana, consolidada na fabricação e venda de hardware, concilia novos produtos a softwares e outros serviços, criando um ecossistema que potencializa sua marca e aumenta seus lucros.
Porém, não é preciso ser uma Apple para agir dessa forma.
Como criar a inovação em modelos de negócios?
O primeiro passo é saber onde propor ideias, e o Business Model Canvas (BMC) é um ótimo caminho. A ferramenta que apresenta os blocos fundamentais de um negócio também pode ser utilizada para descobrir aberturas para a inovação.
Dentro do BMC, há fatores essenciais para uma empresa, como sua proposta de valor, estrutura de custos e fontes de receita. Juntamente com esses blocos, podemos elencar dois em que se torna mais fácil propor a inovação: segmentos de clientes e canais. Assim, responda a duas perguntas:
- Quais segmentos de clientes ainda não estão dentro do meu modelo de negócios?
- Quais canais ainda não utilizo para vender ao meu cliente?
Alcançar novos públicos é uma forma de inovar em seu modelo de negócio. A própria Apple, citada acima, fez isso ao lançar a linha de iPhones SE, em 2016, com foco em adquirir clientes que não estavam dispostos a pagar pela linha mais cara.
Já em canais, a inovação pode ser representada pela forma com a qual o produto é vendido ao consumidor. O maior exemplo está nas grandes fabricantes, que têm no varejo seu principal canal de vendas e distribuição, mas que vêm acompanhando de perto a tendência do modelo Direct-to-Consumer (D2C).
Muito além do iPhone: a inovação no modelo de negócios da Apple ao longo dos anos
Cada vez mais, as discussões em torno da inovação de produtos é colocada como protagonista do futuro. No entanto, o exemplo da Apple com seus iMacs, iPads, iPhones e Airpods é uma exceção poucas vezes vista no mundo dos negócios.
Afinal, poucas empresas podem se gabar de ter tido Steve Jobs como fundador e responsável por criar produtos tão icônicos. Mesmo assim, desde o ano em que Jobs faleceu, 2011, até 2024, o faturamento bruto anual da companhia subiu de US$108 bilhões para US$380 bilhões.
O modelo tradicional de comercialização de hardware chegou a ser responsável por mais de 92% de toda a receita. Porém, em 2018, um sinal de alerta foi aceso sobre seu principal recurso: o iPhone.
Depois de alcançar um recorde superior a US$ 166 bilhões em vendas, o iPhone passou a registrar quedas de 14% em 2019 e 17% em 2020, em comparação com seu melhor desempenho. Foi nesse contexto que a Apple acelerou sua aposta em novos modelos de negócio, com o lançamento do Apple TV+, em 2019, e a expansão do investimento em serviços, buscando ir além da venda de aparelhos e consolidar uma plataforma de receita recorrente mais diversificada e menos dependente do iPhone.
Ainda assim, esse sinal de desaceleração não significou um enfraquecimento duradouro da marca: em 2025, os dados passaram a indicar resiliência da linha, com modelos como o iPhone 16 entre os mais vendidos globalmente.
O ecossistema como modelo de negócio inovador da Apple
Antes pouco relevante, a categoria apresentada como “Services” nos demonstrativos financeiros da Apple são responsáveis por parte relevante da receita.
O montante vem de serviços como os streamings Apple TV+ e Apple Music, além de softwares como o Apple Care, Apple Pay e a venda de aplicativos na Apple Store.
Diferentemente do modelo de fabricação e venda de hardware, a Apple mostra que está atenta também a modelos As a Service e On-Demand. Tudo sempre conectado ao ecossistema de produtos, mas sem deixar de “olhar para fora”. O Apple TV+ e Apple Music, por exemplo, podem ser utilizados em dispositivos que não são da marca.
Com toda essa gama de serviços junto aos diferentes modelos de iPhone, iMacs, Macbooks e acessórios como o Apple Watch e o Airpods, a marca criou um modelo de ecossistema que se retroalimenta, fidelizando consumidores e aumentando as receitas da companhia.
Assim como a Apple, grandes empresas já estão redesenhando seus modelos de negócio para capturar novas oportunidades de crescimento por meio de inovação e diversificação.
Um exemplo desse movimento é o case da Melhoramentos. Com mais de um século de história, a empresa identificou, com o apoio do ecossistema de tecnologia e inovação da FCamara, oportunidades de diversificação ao desenvolver uma linha sustentável de embalagens a partir da fibra, sua principal matéria-prima.
O projeto não apenas ampliou o portfólio, como criou novas fontes de receita, com potencial de gerar mais de 10 vezes o valor obtido caso a fibra fosse comercializada apenas como commodity, reposicionando a marca em um mercado cada vez mais orientado à sustentabilidade. Confira o case completo aqui.
