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Equipe desenhando workflow com agente de IA

Como desenhar fluxos de trabalho para agentes de IA operarem com autonomia

Imagine uma solicitação interna de TI em que um colaborador abre um chamado para recuperar o acesso a um software. Para atender à demanda, é preciso interpretar o pedido, verificar a identidade do solicitante, consultar permissões, acessar diversos sistemas e, conforme a situação, realizar a alteração ou encaminhá-la para aprovação.

Embora pareça uma tarefa simples, esse tipo de atividade envolve múltiplos caminhos e critérios. Quando a inteligência artificial passa a participar desse processo, não basta conectá-la aos recursos disponíveis: é preciso estabelecer como ela deve interpretar cada situação, em quais momentos pode agir e quando precisa interromper a operação. 

É nesse contexto que surge o workflow com agente de IA, uma forma de organizar a atuação das ferramentas em um cenário real, com critérios que orientam seu comportamento e mecanismos para acompanhar os resultados.

Ao longo deste artigo, vamos mostrar como identificar cenários adequados para esse modelo, estruturar sua lógica, estabelecer níveis de autonomia, lidar com exceções e criar controles para colocá-lo em operação.

Boa leitura!

O que é um workflow com agentes de IA?

Um workflow com agentes de IA é uma estrutura que organiza uma sequência de etapas em que um ou mais agentes de inteligência artificial interpretam informações, avaliam o contexto e realizam ações de acordo com critérios e permissões estabelecidos. Em vez de apenas seguir uma sequência fixa de comandos, o agente pode escolher o próximo passo conforme as informações encontradas ao longo do caminho.

Essa característica permite lidar com situações que não são idênticas entre si sem exigir uma regra específica para cada possibilidade. A partir das informações recebidas, a IA pode consultar fontes, selecionar uma alternativa entre as disponíveis, solicitar uma validação adicional ou encaminhar a demanda para uma pessoa quando a situação estiver fora do escopo autorizado.

O workflow também estabelece os limites dessa atuação: quais etapas devem ser percorridas, quais ações podem ser realizadas de forma autônoma, quando é necessária uma aprovação e quais informações precisam ser registradas. Assim, a autonomia do modelo fica vinculada a parâmetros que orientam seu comportamento e tornam possível acompanhar o que aconteceu em cada etapa. 

Como um workflow agentivo funciona

Para estruturar essa atuação, o workflow agentivo pode ser organizado em seis elementos que orientam a execução:

  • Entrada: uma solicitação, evento ou condição inicia o processo. Pode ser uma mensagem, um formulário preenchido, um registro criado em um sistema ou uma alteração identificada em uma base. 
  • Interpretação: a IA analisa a entrada, identifica as informações relevantes e determina o que precisa ser feito. Quando as informações disponíveis não são suficientes, pode consultar fontes autorizadas, recuperar documentos ou solicitar dados adicionais antes de seguir. 
  • Decisão: com as informações necessárias em mãos, a inteligência artificial analisa as alternativas previstas e seleciona uma delas de acordo com as regras e permissões determinadas. O objetivo é restringir sua atuação ao escopo daquela tarefa.
  • Ação: a escolha é convertida em uma ação por meio dos recursos disponíveis. Isso pode envolver consultar ou atualizar um sistema, registrar uma informação, enviar uma comunicação, abrir uma solicitação ou encaminhar uma atividade para outro componente do workflow.
  • Validação: o efeito da ação é conferido antes da continuidade. Se estiver dentro dos parâmetros esperados, a etapa seguinte é iniciada. Se houver alguma inconsistência, o workflow pode solicitar uma nova tentativa, seguir por uma rota alternativa ou encaminhar para avaliação humana. 
  • Exceção: situações que não se enquadram nos parâmetros ou permissões seguem uma rota específica. Em vez de improvisar uma resposta, a inteligência artificial registra o contexto e direciona o atendimento para uma pessoa ou outro recurso habilitado a tratá-lo.

A ordem dessas fases pode variar conforme a tarefa. Uma validação pode levar a uma nova interpretação ou orientação, enquanto casos mais complexos podem envolver capacidades especializadas em diferentes pontos da jornada. O desenho deve refletir essa dinâmica sem perder de vista as responsabilidades, permissões e os pontos de controle para cada parte do workflow. 

Workflow tradicional, RPA e agentes de IA são a mesma coisa?

Não. Embora as três abordagens possam fazer parte de uma estratégia de automação, cada uma resolve um tipo diferente de necessidade. 

Abordagem Como funcionaQuando faz sentido 
Workflow tradicionalOrganiza etapas, responsáveis, dependências e condições de encaminhamento. O processo pode envolver pessoas e sistemas, seguindo caminhos previamente firmados.Quando a dinâmica é conhecida e as responsabilidades estão bem delimitadas.
RPAAutomatiza tarefas repetitivas em sistemas a partir de instruções e condições predefinidas. Pode acessar aplicações, preencher campos, copiar informações e executar outras ações de forma consistente.Quando as entradas e os caminhos de funcionamento apresentam pouca variação. Mudanças na interface, nas condições ou no procedimento podem exigir ajustes.
Workflow com agente de IAIncorpora interpretação e determinação dos próximos passos à execução. A IA pode analisar uma solicitação, consultar fontes, selecionar ferramentas e estabelecer o próximo passo dentro dos parâmetros estipulados.Quando o fluxo apresenta variações que exigem interpretação e escolha entre diferentes caminhos, mantendo limites de atuação claros.

Vale destacar que os três podem coexistir em uma mesma arquitetura. Uma estrutura de automação pode organizar as etapas, o RPA (Robotic Process Automation, ou Automação Robótica de Processos) pode cuidar de tarefas repetitivas em sistemas legados e um agente pode atuar nos pontos que exigem interpretação ou determinação do próximo passo. A combinação mais adequada depende do grau de variabilidade, dos critérios envolvidos e do nível de controle necessário em cada etapa.

Quais processos fazem sentido para agentes de IA?

Nem toda demanda corporativa precisa dos chamados synthetic workers, ou agentes de inteligência artificial autônomos. A escolha faz mais sentido quando existe uma situação recorrente, com espaço para tomada de decisão e uso de diferentes recursos, e quando a empresa consegue estabelecer limites para essa atuação.

O ponto de partida, portanto, não é a tecnologia disponível, mas as características da atividade que se pretende automatizar. Mapear as etapas da atividade ajuda a entender onde a inteligência artificial pode gerar valor, quais partes devem continuar sob responsabilidade humana e quais condições precisam estar presentes antes da implementação.

A importância de selecionar bem as aplicações também aparece em pesquisas de mercado. Uma pesquisa da Gartner prevê que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027, principalmente por custos crescentes, valor de negócio incerto ou controles de risco inadequados. A recomendação reforça a importância de começar por aplicações com objetivo, entrega esperada, limites de atuação e indicadores bem instituídos, em vez de adotar ferramentas em qualquer rotina apenas por expectativa tecnológica. 

Procure processos com objetivo e resultado claros

A IA precisa ter parâmetros que indiquem o que deve ser entregue e quando a tarefa pode ser considerada concluída. Situações cujo desfecho depende de negociações, análises subjetivas ou julgamentos especializados podem exigir uma participação humana maior.

No exemplo de recuperação de acesso a sistemas, a entrega esperada é objetiva: o colaborador recebe o nível de acesso autorizado, o chamado é atualizado e a solicitação é encerrada. Há condições claras para verificar se a tarefa foi concluída corretamente.

Isso não significa que aplicações mais complexas estejam fora do escopo. Em aprovação de crédito, precificação ou mensuração de desempenho, por exemplo, a inteligência artificial pode assumir etapas como coleta de dados, verificação de requisitos e classificação inicial, enquanto decisões de maior impacto permanecem sob responsabilidade humana.

Avalie decisões e exceções

Antes de delegar parte da execução à IA, vale entender o quanto a tarefa varia de um caso para outro. Quanto mais situações diferentes surgirem, maior será a exigência de interpretação, orientações para estipular o próximo passo e encaminhamentos específicos.

Variações frequentes não inviabilizam o uso de um synthetic worker. O ponto é saber se elas podem ser classificadas e tratadas de acordo com regras definidas. Quanto maior o impacto de um encaminhamento fora do padrão, maior tende a ser a exigência de controles e validações.

Na recuperação de acesso, por exemplo, o nível solicitado pode estar acima da permissão do colaborador, o sistema pode estar indisponível ou o pedido pode envolver um recurso que exige aprovação do gestor. Cada cenário recebe um tratamento específico, como consultar outra fonte, aguardar uma condição ou encaminhar a solicitação para uma pessoa.

Verifique se o resultado pode ser medido

A escolha também deve considerar como o desempenho da solução será avaliado. Sem indicadores, fica difícil identificar ganhos, medir falhas ou determinar quais ajustes devem ser feitos.

Em um atendimento interno, algumas métricas podem ser o tempo médio de resolução, a taxa de classificação correta na primeira tentativa e o percentual de solicitações encaminhadas para análise humana. Comparar esses indicadores antes e depois da implementação ajuda a mensurar o impacto da solução e orientar sua evolução.

Como desenhar um workflow para um agente de IA executar

Depois de identificar uma aplicação adequada, a próxima etapa é traduzi-la em uma estrutura que a IA consiga executar com clareza e controle. Isso envolve mapear as informações necessárias, organizar decisões, delimitar ações e estabelecer o tratamento para situações que saem do caminho esperado.

O desenho também precisa estabelecer como a tarefa será conduzida e como situações fora do caminho esperado serão tratadas. Por fim, deve-se estabelecer como verificar se o processo atingiu o objetivo esperado e como acompanhar seu funcionamento depois da entrada em produção.

A seguir, confira os principais aspectos que precisam ser considerados para construir esse tipo de workflow. 

1. Defina o objetivo do agente

Antes de selecionar ferramentas ou permissões, é importante estabelecer qual entrega a IA deve realizar e o que caracteriza a conclusão da tarefa.

Considere um exemplo de atendimento interno de TI em que colaboradores abrem chamados para recuperar o acesso a sistemas corporativos. A solicitação pode envolver verificar a identidade do solicitante, consultar suas permissões, conferir as políticas aplicáveis, realizar a alteração quando autorizada e registrar o chamado.

Nesse caso, “processar solicitações de recuperação de acesso” descreve a finalidade, mas ainda é amplo demais. Um objetivo mais específico seria: verificar a identidade do solicitante, validar o nível de acesso solicitado, realizar a alteração quando estiver dentro das permissões estabelecidas ou encaminhar o pedido para aprovação e registrar a alteração. 

Esse escopo delimita o que a inteligência artificial deve fazer e ajuda a estabelecer quando a tarefa está concluída. Quanto mais objetivo for esse escopo, mais fácil será estabelecer as ferramentas, permissões, decisões e pontos de controle que vêm a seguir.

2. Mapeie entradas, dados e contexto

A execução depende das informações às quais a IA terá acesso. Por isso, antes de estruturar o workflow, é importante identificar três camadas:

  • Entradas: o que inicia a atividade. Aqui, trata-se da abertura de um chamado no sistema de ITSM (IT Service Management, ou Gerenciamento de Serviços de TI), com os dados do solicitante e a descrição da demanda. 
  • Dados disponíveis: quais bases, sistemas e documentos podem ser consultados. Entre eles estão o diretório de usuários, o catálogo de sistemas, as políticas de acesso, o histórico de chamados e o registro das permissões atuais. Cada fonte precisa estar documentada, acessível e com as permissões de consulta corretamente configuradas.
  • Contexto organizacional: informações que orientam a interpretação, como políticas internas, hierarquia de aprovação, classificação dos sistemas por criticidade e requisitos regulatórios. Esse conteúdo pode estar distribuído em diferentes documentos e sistemas, por isso precisa ser organizado de uma forma que permita sua consulta ao longo do trabalho.

3. Transforme o processo em etapas e decisões

Com o objetivo, as entradas e a circunstância mapeadas, é hora de organizar como a tarefa será conduzida e quais decisões aparecem ao longo do caminho. O resultado é um mapa que relaciona cada etapa às condições exigidas para determinar o próximo passo.

No que se refere à recuperação de acesso, por exemplo, a IA recebe a solicitação, identifica o sistema e o nível de acesso pedido, verifica a identidade do solicitante e consulta a política correspondente. Se a solicitação estiver dentro das condições autorizadas, pode realizar a alteração, registrar a ação e atualizar o chamado. Quando essas condições não forem atendidas, segue para o tratamento indicado para aquela situação. 

Cada decisão precisa ter diretrizes claras. “Verificar se o nível solicitado é permitido” não é suficiente. Deve-se definir quais fontes devem ser consultadas, como as informações devem ser interpretadas e qual encaminhamento corresponde a cada possibilidade.

4. Defina quais ferramentas a IA pode utilizar

A IA executa ações por meio de interfaces conectadas ao workflow. Cada uma precisa ter uma finalidade específica, permissões adequadas e condições de uso conhecidas antes de ser disponibilizada. 

No fluxo analisado, isso pode incluir consulta ao diretório de usuários, acesso à base de políticas de acesso, atualização do sistema de ITSM, conexão com o sistema de gerenciamento de identidades e envio de notificações por e-mail ou canal interno.

Recursos que não fazem parte do escopo não devem ficar disponíveis como alternativa. Essa delimitação reduz a superfície de atuação e ajuda a manter as ações compatíveis com as responsabilidades atribuídas à inteligência artificial.

5. Determine o que a IA pode decidir sozinha

Autonomia depende de um perímetro de atuação bem estabelecido. É importante determinar quais decisões podem ser tomadas sem aprovação e quais devem ser encaminhadas para uma pessoa.

Na recuperação de acesso, por exemplo, a IA pode ter permissão para restaurar o acesso a sistemas não críticos quando o nível solicitado for igual ou inferior à permissão que o colaborador já possuía, desde que sua identidade esteja validada e não haja registros que indiquem a exigência de análise adicional.

Solicitações de acesso a sistemas críticos, elevação de privilégios ou situações associadas a incidentes de segurança podem seguir para aprovação humana antes de qualquer alteração.

Esse perímetro pode ser revisto conforme o desempenho do workflow, os registros de funcionamento e as novas demandas identificadas ao longo da execução.

6. Desenhe caminhos de exceção

Um workflow precisa prever o que acontece quando uma solicitação não segue o caminho esperado. As exceções devem ter encaminhamentos estipulados antes da entrada em produção, principalmente quando envolvem segurança, acesso ou outras decisões de impacto.

No cenário de recuperação de acesso, algumas situações podem ser tratadas da seguinte forma:

  • Sistema indisponível: registrar a ocorrência, informar o solicitante e realizar uma nova tentativa dentro das condições.
  • Acesso a sistema crítico: reunir os dados da solicitação e encaminhá-la ao responsável pela aprovação.
  • Identidade não verificada: solicitar uma etapa adicional de confirmação e interromper a atividade se ela não estiver concluída. 
  • Solicitação incompleta: identificar a informação faltante, solicitar o dado ao usuário e manter o chamado aguardando resposta pelo prazo firmado.

Cada exceção precisa ter destino, condição de encerramento e registro para que o comportamento da automação possa ser acompanhado posteriormente. 

7. Defina os pontos de human-in-the-loop

A intervenção humana deve estar prevista nos pontos em que uma verificação exige julgamento, autorização ou responsabilidade que não foi atribuída à inteligência artificial.

Três situações merecem atenção:

  • Decisões de alto impacto ou difíceis de reverter: uma concessão de acesso a sistemas financeiros, por exemplo, pode exigir aprovação antes da efetivação. A IA reúne os dados e apresenta o quadro; a autorização fica com a pessoa responsável.
  • Situações não previstas: quando uma solicitação não se enquadra nas condições especificadas, o workflow deve suspender o processamento e encaminhar o caso para revisão, em vez de criar uma solução não prevista. 
  • Casos com risco regulatório ou de segurança: atividades envolvendo dados pessoais, sistemas críticos ou requisitos específicos de conformidade podem exigir análise humana e registro desse parecer. 

Essa intervenção não precisa ocorrer em todas as etapas. O mais importante é identificar onde a análise ou autorização de uma pessoa agrega uma camada de controle, enquanto as demais etapas seguem de forma automatizada. 

A supervisão feita por profissionais já é uma prática presente nas empresas que utilizam IA generativa, mas sua aplicação ainda é desigual. Em pesquisa global da McKinsey, 27% dos respondentes afirmaram que suas organizações conferem todo o conteúdo gerado por inteligência artificial antes de seu uso; uma parcela semelhante informou verificar, no máximo, 20% desse conteúdo. O dado mostra que estabelecer parâmetros para revisão, aprovação e escalonamento é uma diretriz operacional que influencia o nível de risco assumido pelas corporações.

8. Estabeleça critérios de sucesso

Por fim, estabeleça como comprovar que a etapa foi concluída e que a entrega atende aos critérios definidos.

Na recuperação de acesso, isso pode envolver dois níveis:

  • Critério de conclusão: chamado encerrado, registro atualizado no sistema de identidades, notificação enviada e parecer registrado. 
  • Critério de qualidade: acesso concedido ao sistema correto, no nível adequado, para o usuário devidamente verificado e dentro do prazo esperado.

Esses parâmetros também servem de base para a análise depois da entrada em operação. Eles permitem observar o desempenho, identificar desvios e orientar ajustes na forma como o workflow funciona ao longo do tempo. 

Um exemplo real de workflow de IA com supervisão humana

Um exemplo real ajuda a entender que workflows de IA podem assumir diferentes níveis de autonomia. A Morgan Stanley utiliza o AI @ Morgan Stanley Assistant, uma solução interna baseada em sistemas generativos, para apoiar consultores financeiros na consulta ao conhecimento corporativo. Em vez de buscar manualmente em documentos, pesquisas e materiais institucionais, o profissional pode fazer uma pergunta em linguagem natural e receber uma resposta baseada no acervo interno disponibilizado pela organização.

Nesse fluxo, a pergunta do consultor funciona como entrada. A solução interpreta a solicitação, recupera conteúdos relevantes entre as fontes corporativas autorizadas e sintetiza as informações em uma resposta. O profissional permanece responsável por validar o conteúdo e decidir como utilizá-lo em sua atuação. 

Esse case reúne três elementos importantes:

  • Contexto e fontes autorizadas: a inteligência artificial trabalha sobre um acervo corporativo específico, disponibilizado pela organização.
  • Interpretação: o consultor faz perguntas em linguagem natural e recebe uma resposta baseada nesse conteúdo.
  • Responsabilidade humana: o profissional avalia a resposta e decide como utilizá-la.

Além disso, mostra que a adoção não precisa começar pela execução autônoma de uma atividade completa. Em operações mais complexas, como a recuperação de acesso apresentada aqui, a mesma estrutura pode evoluir para ações em sistemas, decisões dentro de regras estabelecidas e encaminhamento de exceções para aprovação. O nível de autonomia varia conforme o risco e a atividade, mas os controles precisam acompanhar essa evolução.

Um agente ou vários? Quando usar sistemas multiagentes

A escolha entre uma arquitetura com um ou vários agentes depende da complexidade e da especialização das atividades envolvidas. Quando diferentes partes do processo exigem capacidades, fontes ou ferramentas muito distintas, distribuir essas responsabilidades pode torná-lo mais organizado.

Em um atendimento interno de TI, por exemplo, diferentes etapas podem ser distribuídas entre componentes especializados. Um deles interpreta e classifica a solicitação, outro consulta as políticas de acesso aplicáveis e um terceiro executa a alteração no sistema autorizado. Um componente de orquestração coordena essas interações, encaminha os dados relevantes entre as etapas e mantém a continuidade da prática.

Essa divisão pode facilitar a manutenção e a evolução do workflow. Cada especialização pode ser testada com referenciais próprios e atualizada sem exigir mudanças em todas as demais partes. A separação também pode simplificar integrações com sistemas diferentes, já que cada componente fica responsável por um conjunto específico de recursos.

Por outro lado, uma arquitetura multiagente tende a aumentar a complexidade da estrutura. A comunicação entre os componentes deve ser controlada, o compartilhamento de informações deve ocorrer de forma adequada e as interações precisam ser acompanhadas para identificar eventuais problemas. Quanto maior a quantidade de unidades, maior tende a ser o esforço de coordenação.

Essa preocupação ganha importância à medida que as arquiteturas se tornam mais distribuídas. O Gartner prevê que 70% das aplicações de IA utilizarão sistemas multiagentes até 2028 e aponta a necessidade de mecanismos automatizados de revisão, monitoramento e bloqueio de ações para controlar riscos em ambientes nos quais diferentes sistemas interagem em alta velocidade.

Por isso, a quantidade de agentes deve acompanhar a complexidade da demanda. Se uma única IA consegue realizar as etapas com clareza e controle, dividir o trabalho pode acrescentar complexidade sem benefício proporcional. Essa abordagem ganha sentido quando a especialização melhora o desempenho, a manutenção ou a integração do workflow.

Como garantir segurança e governança no workflow

Segurança e governança de IA generativa começam pela delimitação dos limites de atuação da IA e da forma como seu funcionamento será acompanhado ao longo do tempo. Por isso, esses aspectos precisam estar incorporados ao desenho, à implementação e à gestão do workflow.

Também é fundamental estabelecer responsabilidades, restringir o acesso aos recursos adequados e determinar como mudanças, desvios e resultados serão verificados. A seguir, estão os principais pontos de atenção para manter esse controle ao longo do processo:

  • Controle de acesso a dados: o sistema deve ter acesso apenas aos dados que precisa para executar a função esperada e nenhum dado além disso. Permissões por escopo, com revisão periódica, ajudam a evitar que a expansão do workflow amplie o perímetro de acesso da IA sem revisão prévia. 
  • Rastreabilidade de decisões: cada ação precisa ser registrada com o contexto utilizado, os dados consultados, o encaminhamento adotado e o desfecho obtido. Esse histórico permite investigar ocorrências, observar o desenvolvimento das atividades e atender a requisitos de auditoria.
  • Controle de versão do workflow: quando o objetivo, as ferramentas ou os referenciais de avaliação mudam, o modelo atual precisa passar por atualização, testes e validação antes de retornar à produção. Isso permite identificar impactos antes que uma alteração afete a operação.
  • Política de tratamento de dados sensíveis: o agente precisa ter orientações específicas para situações que envolvam informações que exigem proteção adicional. A lógica de funcionamento deve estabelecer quando esses dados podem ser processados, quais ações são permitidas e quando é recomendável encaminhar o caso para uma pessoa.
  • Gestão de erros de interpretação: entradas ambíguas, incompletas ou fora do padrão podem levar a decisões incorretas. Por isso, a estrutura deve prever verificações capazes de identificar inconsistências antes que uma ação de maior impacto seja executada. 

Como monitorar agentes depois que entram em produção

Depois que o workflow entra em produção, seu desempenho precisa ser observado sob duas perspectivas: a eficiência da execução e a qualidade das decisões tomadas pela inteligência artificial. O objetivo é identificar desvios, entender suas causas e gerar insumos para ajustes, mantendo a solução alinhada às metas esperadas.

A importância desse acompanhamento fica mais evidente quando olhamos para a relação entre IA e impacto no negócio. Segundo a McKinsey, entre 25 práticas organizacionais consideradas, o redesenho de workflows foi o fator com maior associação à capacidade de obter impacto em EBIT (lucro antes de juros e impostos) com IA generativa. Apesar disso, apenas 21% dos respondentes disseram que suas organizações haviam redesenhado fundamentalmente ao menos parte de seus workflows, e menos de um quinto afirmou medir KPIs bem desenhados para as soluções agentivas.

Os dados mostram uma lacuna importante: colocar IA em uma aplicação não é suficiente para garantir impacto. É fundamental verificar se a solução está funcionando como esperado, se suas decisões são adequadas e se os efeitos gerados justificam sua utilização. Essa análise pode ser organizada em quatro frentes:

  • Desempenho operacional: tempo médio de resolução, taxa de conclusão sem intervenção humana, percentual de solicitações encaminhadas para pessoas e tempo de resposta nos pontos de aprovação. Esses indicadores ajudam a entender como a solução está afetando a realização da tarefa. 
  • Qualidade das decisões: taxa de erros identificados na validação, frequência de exceções por tipo e quantidade de encaminhamentos realizados com dados insuficientes. Esses indicadores ajudam a identificar problemas na interpretação e no direcionamento das ações. 
  • Comportamentos fora do padrão: aumento repentino de exceções, crescimento no tempo de processamento ou repetição de um mesmo erro devem gerar alertas para investigação. A identificação desses desvios permite agir antes que eles tenham maior impacto.
  • Resultados de negócio: além dos indicadores de execução, vale acompanhar os impactos que justificaram a adoção da IA, como redução de custos, ganho de velocidade, qualidade do atendimento, conformidade ou experiência do usuário. Esses indicadores ajudam a verificar se a solução está efetivamente contribuindo para o objetivo acordado.

Esses dados também orientam a evolução do nível de autonomia. Um histórico consistente pode indicar espaço para ampliar as decisões tomadas sem aprovação, enquanto erros recorrentes ou desvios concentrados em determinadas situações podem exigir novos controles antes de qualquer expansão.

A gestão do workflow não é uma responsabilidade exclusiva de TI. A área de negócio responsável precisa participar das avaliações, porque é ela que tem o conhecimento do funcionamento do negócio necessário para verificar se as decisões são adequadas e se o desempenho da solução continua alinhado aos objetivos da organização.

Erros comuns ao criar workflows com agentes de IA

Os principais problemas costumam aparecer quando o fluxo é tratado apenas como uma configuração técnica, sem considerar as condições necessárias para sua implementação no ambiente corporativo. Falhas na delimitação do escopo, na qualidade dos dados, no tratamento de situações fora do esperado e na responsabilidade pela ação podem comprometer o desempenho da solução mesmo quando a tecnologia funciona como previsto.

Alguns pontos merecem atenção antes e depois da entrada em produção:

  • Objetivo vago demais: instruções amplas, como “resolver solicitações de TI”, não definem o que caracteriza uma conclusão adequada. O desfecho pode ser uma entrega incompleta ou diferente do que a área esperava.
  • Dados acessíveis, mas não confiáveis: a IA pode consultar o diretório de usuários, mas, se os registros estiverem desatualizados, suas decisões serão baseadas em informações incorretas. A qualidade das fontes utilizadas influencia diretamente a qualidade das decisões.
  • Exceções subestimadas: considerar apenas os casos mais comuns e deixar as demais situações para a inteligência artificial resolver por conta própria costuma gerar encaminhamentos inesperados. Ocorrências não previstas podem aumentar as intervenções humanas e sobrecarregar a área responsável pelo atendimento.
  • Autonomia mal calibrada: um perímetro amplo demais aumenta o risco de decisões inadequadas. Um perímetro restrito demais pode fazer com que grande parte das solicitações seja encaminhada para pessoas. O nível adequado precisa considerar o tipo de decisão, seu impacto e histórico.
  • Acompanhamento insuficiente: colocar a IA em produção e monitorar seu funcionamento apenas pela ausência de reclamações não permite identificar problemas silenciosos. Solicitações mal classificadas, registros incorretos ou encaminhamentos que não chegam ao destino podem se acumular sem chamar atenção.
  • Falta de responsável pelo processo: a tecnologia não substitui a responsabilidade sobre o workflow. Cabe determinar quem acompanha seu funcionamento, verifica a qualidade das decisões e conduz os ajustes pertinentes.

Checklist: seu processo está pronto para um agente de IA?

Antes de partir para a arquitetura e a implementação, use este checklist para verificar se as principais decisões já foram tomadas e identificar as lacunas que ainda precisam ser resolvidas.

Objetivo

  • A entrega esperada está descrita com clareza?
  • É possível estabelecer quando o processo foi concluído e quando o que foi feito atende aos critérios definidos?

Dados e contexto

  • As fontes que serão consultadas estão identificadas e acessíveis?
  • Os dados disponíveis são confiáveis e estão atualizados?
  • As políticas, regras e demais referências necessárias para interpretar as solicitações estão documentadas e acessíveis?

Decisões e autonomia

  • Está especificado quais decisões podem ser tomadas sem aprovação humana?
  • Os critérios para orientar essas decisões estão evidentes?
  • Os casos que exigem aprovação têm responsável e prazo estabelecidos?

Ferramentas

  • As ferramentas necessárias para executar as ações estão identificadas e autorizadas?
  • As permissões limitam o acesso aos recursos indicados para a realização da tarefa? 

Exceções

  • As principais variações da tarefa estão mapeadas?
  • Cada situação fora do caminho esperado tem um encaminhamento especificado?
  • Existe um destino para as demandas que não podem ser resolvidas pela IA?

Segurança e governança

  • O acesso a dados e sistemas está estruturado de acordo com os requisitos da solução?
  • As decisões e ações realizadas ficam registradas?
  • Há orientações específicas para o tratamento de informações sensíveis?

Acompanhamento

  • Quais indicadores serão usados para avaliar o desempenho? 
  • Existe uma pessoa responsável por analisar as evidências e conduzir os ajustes necessários?

Quanto mais respostas positivas, mais claro fica o que precisa ser construído e quais lacunas ainda precisam de atenção. Esse diagnóstico ajuda a orientar a arquitetura do workflow e evita levar para a implementação decisões que ainda não foram tomadas.

Agentes autônomos começam por processos bem desenhados

A autonomia da IA começa na definição do que pode ser delegado. Antes de colocar uma tecnologia para executar atividades de uma operação, é preciso entender o processo, suas regras, exceções e pontos de interação com outras áreas e sistemas. Também cabe definir onde o julgamento humano continua necessário e como os resultados serão acompanhados.

Essa definição ganha outra dimensão quando a IA passa a assumir responsabilidades dentro da operação. É essa a proposta do Synforce, da multinacional brasileira FCamara: implementar trabalhadores sintéticos com autonomia, memória e personalidade para atuar em processos corporativos, sem ampliar o headcount.

A proposta também estabelece uma diferença em relação a abordagens tradicionais de automação. Enquanto as ferramentas de RPA (Automação Robótica de Processos) automatizam tarefas repetitivas (baseadas em regras) e os agentes de IA executam tarefas que exigem interpretação, os trabalhadores sintéticos são preparados para atuar de forma contínua dentro dos processos da empresa. Isso porque se conectam aos sistemas necessários para executar suas atividades e podem assumir responsabilidades que exigem acompanhamento constante. Com isso, a equipe humana pode se concentrar em situações que dependem de julgamento, negociação, gestão de crises e decisões diante de cenários ambíguos.

A implementação segue um processo de até 12 semanas, que começa com a seleção do perfil e definição dos objetivos e avança pela integração com dados e sistemas, treinamento de cultura, período de experiência e integração com o time humano. Antes da efetivação, o modelo prevê um período supervisionado para acompanhar as entregas, refinar a execução e validar os indicadores. Na etapa final, o trabalhador sintético entra em regime pleno e pode ser expandido para novos domínios ou volumes de trabalho.

A biblioteca do Synforce reúne perfis voltados a diferentes áreas, como financeiro, auditoria, Recursos Humanos (RH), Customer Experience (CX), procurement, jurídico, vendas e marketing. Entre os resultados já apresentados estão 95% de redução no tempo de processos financeiros automatizados, operação contínua 24/7 e nota 9,0 de satisfação de usuários em aplicações de RH. 

A questão, então, não é apenas quais tarefas podem ser automatizadas, mas quais responsabilidades podem ser delegadas com segurança e clareza. Para empresas que já identificaram processos com alto volume, recorrência e regras bem definidas, os trabalhadores sintéticos abrem uma alternativa para ampliar a execução sem aumentar o headcount.

Quer descobrir onde esse modelo pode fazer sentido na sua operação? Conheça o Synforce e agende uma sessão de diagnóstico para mapear oportunidades e entender como funciona o processo.

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