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A importância da fase de exploração no processo de inovação
Uma luva plástica cor de rosa “perfeita” para disfarçar o descarte de absorventes e tampões durante o período menstrual. A Pinky Glove foi apresentada no programa de TV Die Höhle der Löwen (A Caverna dos Leões, em tradução livre), espécie de versão germânica do norte-americano Shark Tank, programa da ABC em que os empreendedores vão apresentar suas ideias a potenciais investidores. Criada por dois rapazes alemães, a novidade conquistou nada menos do que 30 mil euros de um dos jurados (também homens) do programa.
Não demorou nada, porém, para que as mulheres começassem a questionar a utilidade do produto e o fato de uma equipe 100% masculina desenvolver uma “solução perfeita” para “disfarçar” a menstruação sem ao menos consultar mulheres e entender o contexto do descarte de absorventes no seu dia a dia.
A repercussão negativa não apenas fez o investidor voltar atrás, mas também demonstra (da pior forma possível) o que acontece quando o processo de inovação simplesmente não considera a importância da etapa de exploração, indispensável para criar qualquer produto ou serviço bem-sucedido.
Ao longo deste artigo, você vai entender por que esse momento inicial do ciclo de inovação é decisivo para reduzir riscos, identificar oportunidades e evitar que boas ideias sejam construídas sobre premissas equivocadas. Siga a leitura!
O que é a fase de exploração no processo de inovação
Se você ainda não está totalmente familiarizado com o termo e sua relação com a inovação, a fase de exploração é aquela em que o potencial usuário é colocado no centro da atenção antes do desenvolvimento de um produto ou serviço.
É neste momento inicial que a consultoria de inovação trabalha para entender as dores, as relações e o dia a dia dos potenciais usuários da inovação. Essa fase é dividida basicamente em três etapas – exploração do contexto, análise de potenciais usuários e entendimento de insights – que vamos detalhar a seguir.
1. Exploração do contexto
Nesta primeira etapa da fase exploratória, a consultoria busca entender o mercado, as tendências e o contexto dos potenciais usuários. É preciso ter um plano de pesquisa estruturado para compreender o ambiente em que a inovação estará inserida, seus stakeholders, como ocorrem as relações e interações entre eles e o que pode gerar valor nesse ecossistema.
A ideia aqui é entender como a inovação pode gerar um impacto ou uma solução para o contexto como um todo.
Para essa exploração, podem ser utilizados desk research, modelos análogos e entrevistas com experts.
O objetivo principal é obter um panorama geral para não criar algo que já exista ou que não gere valor para o sistema como um todo.
A consultoria de inovação tem basicamente dois pontos de partida para a etapa de exploração de contexto:
- Quando recebe da empresa cliente tem um briefing já bem direcionado. Por exemplo, ela tem um produto, mas quer abranger públicos diferentes, ou tem um produto que não tem a saída esperada e precisa ser melhorado. Nesse caso, existe um contexto específico que deve ser explorado;
- Quando a empresa cliente tem o desafio de inovar, mas não sabe por onde começar. Aqui, é preciso focar em algumas possibilidades para começar a avaliar cada contexto até que o melhor caminho seja descoberto.
2. Avaliação dos usuários em si
É nesta segunda etapa do processo em que falamos especificamente do usuário. Não é possível pensar em inovação ou criar o que quer que seja – produto, serviço, experiência – sem construir empatia, conhecer sua rotina e entender como a novidade fará parte do seu dia a dia.
Aqui, é importante entender aspectos cognitivos e comportamentais, além de motivações, alegrias e desafios para que a análise do usuário tenha profundidade. Para isso, é preciso mergulhar na sua rotina e nas suas dores. Definitivamente, não é uma etapa que se resolve apenas com uma pesquisa online com múltiplas alternativas, por exemplo.
A simples observação também não basta, porque é preciso considerar aspectos conscientes e inconscientes dos usuários para criar um serviço ou produto que de fato faça sentido para ele.
Para facilitar o entendimento, vamos usar como exemplo uma iniciativa de um grande varejista, que, em parceria com diversas ONGs, disponibilizou voluntários para fazer compras para idosos logo no início da pandemia da COVID-19.
A rede nos procurou para entender por que a iniciativa não tinha aderência. Os voluntários ficavam nas lojas, mas não havia pedidos.
A partir desse briefing, iniciamos a fase exploratória para entender o lado do usuário, que era o público 60+.
Nossa equipe foi às lojas observar e estabelecer contato com o público-alvo. Em seguida, para garantir o mínimo contato presencial, realizamos entrevistas individuais de forma remota.
Tanto na exploração de contexto quanto na avaliação dos usuários, as descobertas foram inesperadas. Entre as principais conclusões estavam que:
- Pessoas com 70+ que têm pai e/ou mãe vivos não se enxergam como grupo de risco. Para elas, a geração anterior é que está no grupo de risco e precisa de cuidados;
- Pessoas com 70+ sem geração anterior viva sabem que estão no grupo de risco, mas já estão abrindo mão de ver filhos e/ou netos e têm a ida ao supermercado como única oportunidade diária de interação com outras pessoas.
São insights de certa forma até simples, mas difíceis de serem obtidos apenas por observação ou pesquisa online. Para chegar a eles, entendendo desafios, dores e necessidades, é preciso construir empatia e ouvir essas pessoas de forma profunda e genuína.
3. Entendimento de insights
A terceira e última etapa da exploração é o entendimento dos insights coletados nas duas etapas anteriores e envolve um trabalho conjunto entre contexto e usuário. São essas informações que fornecem uma visão acionável para começar a criação de um produto ou serviço que atenda a uma necessidade, melhore uma experiência diária ou transforme um comportamento maléfico, por exemplo.
Mais uma vez, vamos utilizar como exemplo a iniciativa da rede varejista com voluntários para fazer compras para o grupo 60+. O entendimento dos insights levou a uma redefinição da iniciativa, que foi totalmente transformada para atender à real necessidade dos usuários. Resultado: os voluntários foram dispensados e as lojas da rede criaram um horário especial para o grupo 60+, com protocolos de segurança ainda mais rígidos. Era disso, afinal, que os usuários precisavam.
O que vem depois da fase de exploração
Depois da fase exploratória, o projeto idealmente passa por um estudo de viabilidade financeira e, então, entra na linha de concepção, em que a solução ganha um formato para resolver necessidades e dores identificadas na exploração. Depois disso, é hora de criar a prova de conceito PoC e começar a testar.
Por fim, é importante entender que um bom plano de exploração, que pode ser estruturado com a expertise de uma consultoria de inovação, é indispensável para colocar o usuário no centro de todo o desenvolvimento e permitir um entendimento profundo tanto do seu contexto quanto do contexto do mercado em que o produto ou serviço estará inserido.
Esse é o primeiro passo para criar uma solução que resolva um problema que existe (e não fazer como a startup alemã, que inventou um problema para supostamente apresentar uma solução).
Mas para que esse tipo de abordagem ganhe escala e gere resultados consistentes, é fundamental contar com uma estrutura que conecte estratégia, execução e evolução contínua da inovação.
O ecossistema de tecnologia e inovação da FCamara atua justamente nesse movimento, apoiando empresas em toda a jornada de inovação. Ela começa na definição da estratégia de inovação, com a análise do contexto do negócio e das oportunidades de mercado. Em seguida, avança para a execução da inovação, quando ideias são modeladas, testadas e validadas até a estruturação de novos produtos e negócios. Por fim, as alavancas de inovação fortalecem a organização com governança, métricas e capacidades que sustentam a evolução contínua.
Entre os principais benefícios desse modelo estão:
- Criação de novas fontes de receita;
- Aumento da competitividade com o uso de tecnologias emergentes como inteligência artificial;
- Maior agilidade para responder às mudanças do mercado;
- Fortalecimento de uma cultura orientada à experimentação e aprendizado contínuo.
Quer sair da experimentação isolada e estruturar um processo de inovação que realmente gere impacto? Acesse nossa página e descubra como!
