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Profissionais entendendo por que startups falham

Por que as startups falham

Abrir o próprio negócio é um clássico clichê sobre desafios e dificuldades. As estatísticas estão aí para mostrar que o número de empresas que fecham no primeiro ano de vida não é pequeno – e, no caso das startups, fica em torno 21,5%. O dado é da Investopedia, que aponta ainda que 90% das startups acabam não dando certo.

Estruturar uma ideia e criar uma startup já não é um caminho fácil, mas muitas vezes não existe clareza sobre os fatores que levam tantas iniciativas ao fracasso. Ao longo dos últimos anos, empresas, investidores e especialistas do ecossistema de inovação têm acompanhado desafios que ajudam a explicar por que tantas startups falham ao tentar ganhar escala. Alguns desses motivos, inclusive, são menos óbvios do que parecem à primeira vista.

Principais motivos que levam as startups a falhar

Ter uma grande ideia não basta para criar uma startup. Na ânsia de resolver um problema e lançar logo o produto (ou serviço), muitos empreendedores deixam de lado questões básicas, como a real necessidade do mercado por esse novo produto.

Segundo uma pesquisa do CB Insights feita com 111 startups que fecharam entre 2018 e 2021, 35% falharam devido à falta de demanda de mercado. Este é o segundo motivo mais comum para o fracasso, ficando atrás apenas das dificuldades financeiras e de levantar capital (38%). 

Voltando ao estudo do CB Insights, problemas com a escolha da equipe e de precificação são outros dos 12 motivos mais comuns que levam startups a quebrar. Confira a lista completa no infográfico abaixo.

Gráfico exemplificando por que startups falham

Criar uma startup envolve muito mais desafios do que apenas desenvolver uma boa ideia. Em muitos casos, são erros de execução, decisões precipitadas ou problemas pouco percebidos no início da operação que acabam comprometendo o crescimento do negócio.

A seguir, listamos cinco empecilhos que podem arruinar o processo de criação de uma startup:

1. Gestão de tempo e de prioridades

“Estou atolado de trabalho” ou “virei a noite para entregar um projeto” são frases comuns para profissionais de diferentes áreas e níveis hierárquicos, mas, sem sombra de dúvida, elas doem muito mais para o fundador de uma startup. Não é raro vê-lo assumir o papel de desenvolvedor, RH, atendimento ao cliente, CFO… especialmente no começo, quando o único funcionário da empresa é você!

Por mais óbvio que possa parecer, a gestão de tempo e de prioridades é um fator crucial. E isso inclui a compreensão do que vai trazer ganhos no longo prazo. Elementar, não? Mas, na prática, muitas vezes deixamos de trabalhar em algo estratégico para apagar incêndios e, embora o impacto disso não seja sentido imediatamente, com o tempo esse modus operandi acaba atrasando o lançamento de um produto ou serviço e pode até comprometer o caixa de uma empresa.

A solução é trazer para a mesa as pessoas que tomam as decisões, expor as estratégias de longo prazo versus o que precisa ser feito no curto para a startup crescer e chegar a um equilíbrio. Em outras palavras: balancear o urgente e o estratégico.

Uma combinação de fatores, tais como investimento, complexidade das tarefas e resultados esperados, deve entrar nessa conta para que se chegue a uma definição de prioridades que faça sentido. E, vale lembrar, o que é prioridade no momento de criação da startup pode não ser alguns meses depois, por isso o plano precisa ser revisto de quando em quando.

2. Validação do modelo de negócio e do MVP

Esse é um tópico já batido nas discussões sobre por que startups falham, mas, mesmo assim, ainda é comum vermos muitos empreendedores errando. É que, na maioria das vezes, eles optam pela opinião de conhecidos, pesquisas e mais pesquisas para validar sua ideia, o que é ótimo mas, verdade seja dita, nada se compara a colocar um site no ar, vender algo na prática e testar se seu cliente está realmente disposto a investir tempo e dinheiro na sua solução.

Ainda que existam estudos, pesquisas e projeções para orientar decisões, a validação acontece quando o produto entra em contato com o mercado. É nesse momento que surgem aprendizados difíceis de antecipar apenas no planejamento, revelando ajustes necessários no modelo de negócio, na proposta de valor e até no escopo da solução.

Um dos principais erros entre startups é tentar lançar um produto excessivamente robusto logo na primeira versão. Na prática, essa escolha costuma aumentar custos, alongar prazos e retardar a validação da ideia junto ao público.

Por isso, o conceito de MVP ganha relevância. Ao simplificar o produto e focar apenas no essencial para validar a proposta de valor, torna-se possível testar hipóteses com mais agilidade, reduzir investimentos iniciais e aprender mais rapidamente com o comportamento dos usuários.

O segredo é ter flexibilidade e estar preparado para agir rápido em situações não esperadas. Ao construir o Produto Mínimo Viável e se deparar com altos níveis de complexidade e/ou investimento, talvez seja o caso de parar e rever estratégias.

Hoje, felizmente, temos à disposição infinitas ferramentas para criar landing pages, formulários online e outros instrumentos que ajudam no processo de validação. Portanto, não perca muito tempo nem dinheiro tentando validar algo que pode não dar certo.

3. Relacionamento com investidores e sócios

No ecossistema de startups, é comum encontrar diferentes perfis de sócios e investidores. Há desde aqueles que atuam apenas como financiadores, acompanhando o negócio de forma mais distante, até os que participam ativamente da operação e contribuem diretamente para tirar ideias do papel.

Para essa relação fluir bem, alinhamento é o único caminho possível. Sabemos que startups envolvem um alto nível de expectativas e de mudanças de rota nem sempre acompanhadas pelos envolvidos no processo. Por isso, destacamos duas palavrinhas quase mágicas: governança e frequência.

A primeira ajuda a definir as práticas que balizam a atuação de todos e a gestão da empresa. Em suma, o tão desejado alinhamento, que diminui o risco de falhas. E a segunda garante que aquilo que não está funcionando bem possa ser ajustado o mais rapidamente e com o menor nível de prejuízo possível.

4. Monetização e geração de receita

Há casos de startups que sobrevivem por um bom tempo sem um modelo de monetização bem definido ou em funcionamento. Em muitos cenários, a geração de receita acaba sendo tratada de forma superficial, limitada à ideia de cobrar pelo uso do produto ou serviço, sem uma análise mais profunda sobre percepção de valor, viabilidade financeira, custos de aquisição e sustentabilidade do negócio no longo prazo.

Mas a verdade é que de simples esse processo não tem nada. Escolher o modelo mais adequado para o negócio que se pretende criar é difícil, e uma falha nesse ponto pode impactar diretamente o potencial de crescimento e de retenção de clientes.

Por isso, cuidado: não saber como um determinado produto ou serviço vai gerar valor pode ser um atalho para o fracasso de uma startup. Ainda que você já tenha ouvido falar de empreendedores que estabeleceram seus modelos de monetização com o carro em movimento, acredite: é um risco que não vale correr.

Sem uma estimativa de como e quando a receita será gerada, o empreendedor pode se perder diante de mudanças repentinas ou situações atípicas, comprometendo a concretização de uma ideia por melhor que ela seja.

Assim, a dica é validar diferentes modelos de monetização, testando-os à exaustão e analisando os resultados de maneira objetiva. Manter um acompanhamento constante sobre a previsão para gerar receita e o potencial que se espera atingir é fundamental.

5. Escala e crescimento

Pode até parecer trivial, mas muitas startups falham por não levar isto em conta: o crescimento agrega custos e dificuldades para os quais nem sempre estamos totalmente preparados. Para chegar ao breakeven, quando receita e custos se igualam, muitas startups vão precisar de uma escala maior do que imaginam, mas isso nem sempre está claro para o empreendedor de primeira viagem.

“Quais são as dificuldades e os custos para atingir um nível de escala mínimo sustentável?” é uma pergunta que precisa estar no radar das startups que desejam crescer – ou seja, todas. Logo, planejar, simular e fazer pesquisas de mercado é fundamental. Ainda assim, no entanto, não se assuste com surpresas e esteja preparado para os imprevistos.

O caminho para criar uma startup não é fácil e, como diz um outro clichê, só quem passa por ele sabe. Por isso, confira algumas dicas que ajudam no processo empreendedor e que, embora soem simples, dão pistas de porque algumas startups falham: leia muito, atualize-se sempre e busque outros empreendedores para conversar e se inspirar. Geralmente, as pessoas são mais abertas ao bate-papo do que imaginamos, e não há nada mais enriquecedor do que a troca de experiências e de vivências.

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